sábado, 28 de novembro de 2015

VIVA VIVA

O picharolê eu achava emblemático. Não o via muito, assim,
Em terreno aberto. Sempre afundado aos capões de matos
Como fosse pássaro de outro mundo, misterioso.

Das vacas eu gostava da Malhada, por ser errante, rebelde.
Não acompanhava as outras de jeito nenhum. Sempre-sempre
Eu tinha que buscá-la para que meu pai pudesse ordenhá-la.

O Rex era amigo. Um cachorro de olhar triste. Não sei. Parecia
Sempre com dor. Vai ver estava mesmo e tentava me comunicar
E eu não entendia, envolvido com tantas brincadeiras.

Bom era andar atrás da máquina de fazer estradas do Pedro,
A máquina de esteira. Cortava barrancos como cortasse manteiga
E eu ia pisando descalço à terra fresquinha recém-descoberta.

Felicidade foi quando chegou energia elétrica em casa. Como
Dormimos felizes àquela noite. A casa parecia outra. Minha
Mãe como sempre falou demais; meu pai, de menos.

Ah, como o tempo de criança é rico. A madrinha Lazara que morava
Na casa mais linda do mundo, de tijolos à vista e cercada de flores,
Pegava-me e me lançava para cima dizendo: viva! Viva!


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