sexta-feira, 24 de abril de 2015

TORTO



Ó dias de fogo
Deem-me a grandeza
De aproveitar do
Que de melhor há

Sem querer transformar
Ao meu gosto
Pelo meu olhar
Ah, o meu olhar

Queria eu outros olhares
Assim, preso, uno
Não contribuo muito
E muito menos do que
Penso

Puro coisa minha
Ver tudo complicado
Prestes a ruir
Encardido, débil, tenso

Quero ouvidos moucos
Olhos cegos e boca
Muda a tudo que
Me for casmurrice

Se houver contribuição
Que possa dar
Que seja por indução
E não rabugice

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Paraisópolis

Vejo sem folhas e flores
Os ipês das praças
De Paraíso.
Não é sempre que
Estão abertos
Em canários sorrisos.
Enquanto não vem
O ourado de Wenceslau
Simões Almeida,
No agosto cinzento das
Queimadas anunciando
Primavera logo chega,
Manter as janelas abertas
Bom seria.
Pois diverso das flores
Não possui data certa
Os ventos que em 1827
Justificaram o nome
São José da Ventania.
Se não é tempo
Das flores diletas
Do Jose Carlos Pedrosa
Curar,
Do Machadão o vento
Nem sempre quieto
Vem abrandar,
No sopro carinhoso
De um Pai
Que acha muitas
Formas de nos visitar.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Mil Anos



Um sol intenso
Entrou a aquecer
A terra tantos
Ciclos depois
E ao fundo uma
Pirâmide de gelo
Se derreteu pelo
Calor que se opôs
Dela saiu alguém
Que não se sabendo
Recém- congelado
Seguiu como estivesse
Há 1000 anos atrás
Desconsiderando
Que tudo mudou
Demais

segunda-feira, 13 de abril de 2015

ESPERANÇA



E de repente saio do tom
E minhas engrenagens se desalinham
Range o ferro com ferro
O ruído não é bom
E nessa avalanche
Sinto-me desmoronando
E perdendo o centro
Então paro, e me concentro
Busco, respiro, busco
As coisas vão se acalmando
Penso em minha mãe
Logo uma trinca
E vaza uma luzinha
Que logo se abre abundante
E dela me farto
E tudo parece mais fácil
Ainda que por um instante

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dita Polina



Minha mãe negra
Mãe de leite
Mamei do leite
Tão branco
Tão branco
Quanto o de
Minha mãe branca
Mãe negra
Mãe branca
Mãe é mãe
Amor
Não tem cor