sexta-feira, 14 de julho de 2017

ARREPIO

A renda
A renda
Eu me rendo
Voa murcha
A camisola
A pele
Arrepia

sexta-feira, 30 de junho de 2017

caminhos



Dos teus caminhos
A certeza da firmeza
Mas ao fim dos degraus
O calor capaz de incêndios

domingo, 25 de junho de 2017

INTRAGÁVEL

Redemunhos
Beiram
Meus pomares
E das trincas
Do meu eu
Sai algo lento
Que tento
Por em texto
Então mexo
Mexo
Não acho
O ponto
Me atrapalho
Paspalho
O caldo
Bem longe
Do que se
Esconde
Às trincas
Do meu eu
Pois margaridas
Saídas dos
Meus olhos
Sugerem
Passarinhos
Que sei
Não são
Reais
Apenas
Virais
Que viabilizam
O Intragável

sábado, 24 de junho de 2017

FIEL

Ele não trai
Não porque seja regra
Mas porque admira e
Gosta da dedicação dela
Do jeito que
Conduz as coisas
Do acordar sempre igual
Dela preparando os pratos
Da colher cheia
Para ele experimentar
Ele adora
Ele ama
O jeito sempre
Leve e alegre
Tem que se a trai
Joga fora que é
Mais respeitado
Em sua família
Por estar com
Uma pessoa seria
Joga fora o seu
Relacionamento
Com a família dela
Um povo tão bom
Mas não é por isso
Não trai porque
Ela não merece
Não trai porque não
Quer entristecer e
Nem perder a mulher
Que lhe faz tanto bem

SALVEM

o mar bate
embarcações
como gente
a pernilongos

Tapas, trancos
Safanões

homens perdidos
nas embarcações
Estapeadas
pelo mar

salvem as baleias
salvem os cachorrinhos
salvem os homens

sábado, 17 de junho de 2017

ENTRETIDO

Nuvens brancas Espumas macias Vão à força Suave das brisas Quase as como E gosto São doces Acho Agita-se a rama Equilibra-se a sabiá E eu olho olho olho Pipa sem linha Meu pensamento Sem rota Sem rumo Sem reta Entretido Não sinto Passar o tempo Gastando a vida Notando as espumas Do canto Dos céus Dos loucos

sábado, 3 de junho de 2017

Varal

recolheu o que
pode de força
foi-se ao quintal
ensaboou esfregou
estendeu suas
dores ao varal
ir adiante
ou voltar
tanto fazia
ficar na
metade do
caminho é
que não podia
notou o rio
o rio ia
inspirou-se

segunda-feira, 15 de maio de 2017

CHARRETE

A Crenilda nem deve se recordar
Morava ainda na Fazenda
Ia a pé com seu pai Tião à Consolação
Ao que passávamos por eles
Naquela nossa charrete cor de creme
Com molas, pneus e buzina
Meu pai ofereceu carona
Ela foi sentada comigo, lá atrás
Nós dois de costas para o cavalo
(O Tião ficou para trás. Ela fez tchau, tchau)
Fomos nos divertindo vendo o chão correr
Abaixo de nossos pés
(Meu pai foi buzinando a buzina
Para nos alegrar
A Crenilda ria, ria, de orelha a orelha)
Quando chegamos em Consolação
Na casa do Grego o Tião Cirino já nos esperava
Não percebemos. Alguém passou de carro
E o levou. Ele foi brincar com a Crenilda
Como a dizer cheguei primeiro. Cheguei primeiro
Ela, com seriedade além da idade, fazendo
Fusquinha disse: charrete é muito mais gostoso
Fiquei pensando...
Até hoje acho que ela estava certa

Sementes

Se encontrasse aquele meu velho amigo
Abraçá-lo-ia como não houvesse passado o tempo
O chamaria para um vinho lá em casa comigo
Falaríamos de antigamente quando tudo era sonho

Mais tarde, bêbados e enfadados das novidades
Decerto eu tentaria convencê-lo de que
Nem só com marretas e pedras se constrói
Falaria da força da poesia com suas
Sementes de orvalho da manhã

Quem sabe ele se convencesse e então acriançados
Notaríamos em silêncio o horizonte acima das neblinas
Cada um imaginando um futuro de mil possibilidades
Impressionados com as tantas coisas ocultas

DESENCONTRO

Quando chego
Quero seu abraço
Você vem falar
Da porta estragada
Eu me calo
Você quer saber
Por que sou sempre
Tão irritado