sexta-feira, 24 de março de 2017

EPÍLOGO

O Tio Valdomiro,
Encostado a barranca
Rosto desmanchado
Não tinha o vício do cigarro
Que quem sabe ali
Até bem lhe atendesse
A Titininha grita algo
Acho que ele nem escuta
Olhos orvalhados
Para os lados 
Do Alto dos Cirinos
(Que era o máximo
Que Podiam)
Ele olhava
Mas duvido que visse
Cantavam os passos-pretos
Jururus as galinhas
Latia o cão cinza
Como rondasse o perigo
Eu saí pela porteira de tábua
Disse até logo, tio
Ele abanou uma mão
Tentou sorrir
Na solidão da tardinha
Do início da década de 90
A Titininha falou
Em bolo de fubá
Duvido que algo
Adoçasse a boca do tio
Foi a derradeira
Vez que o vi
Um homem ativo daqueles
Não ia mesmo gostar
De ficar vivendo

Encostado às barrancas

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