A gente vai pela vida
parecendo não estar
onde está.
Sempre um desejo adiante,
um querer lá na frente,
atalho
corredor estreito,
passagem apressada
entre um antes
e um depois.
Onde devíamos estar
já estamos.
Aqui é o chão exato
do que precisa ser feito,
a sala de aula do que
carece ser aprendido.
Quando uso o agora
como atalho, corredor,
fico repartido:
um pedaço de mim
sentado na cadeira,
outro, desprendido
a mirar o que
ainda não existe.
Então viro isso:
sobredividido,
coxo,
xoxo,
côncavo
oco de mim
eco de mim.
Se eu não viver
o que me vem
O que sobra além
senão tédio.
impaciência.
ansiedade
ignorância
Sobra é sobra
Se vou por esse atalho
daí, além de burro,
ignorante.