quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Azul

No peito,
a esperança.

E ela é azul.

Nos calos
amarelados das mãos,
a aspereza,
a bruteza.

Mas no peito,
a esperança azul.

Esperança para todos,
Céu para todos

Como pintinhos
debaixo da mãe
no dia frio.

Se é para todos é joia.
Apenas para si é joio.

Cresce,
mas é amargo.
Não dá em nada.

No peito azul,
o paradoxo do
quanto mais vazio,
mais cheio.

E o coração quentinho,
Como dentro de um ninho
de beija-flor.

Fuja do que
não for para todos.

Fuja.

Se não for para todos,
É apenas para os tolos.

Não é azul.
Não é céu

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